quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma questão de peso

Reportagem: Dr. Saleyha Ahsan
BBC Two

Mais de a metade da população brasileira (52,5%) está acima do peso. Deste percentual, 17,9% são obesos - segundo uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Ministério da Saúde. Mas será que essas dezenas de milhões de brasileiros estão correndo riscos de saúde?


Um dos indicadores mais comuns utilizados por especialistas para avaliar se uma pessoa tem ou não um peso saudável é o Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC se baseia no seguinte cálculo: o peso da pessoa é dividido pelo quadrado de sua altura.

Estamos acostumados à ideia de que ser gordo é prejudicial para a saúde. No entanto, alguns indivíduos com IMC alto estão expostos a riscos relativamente baixos no que diz respeito ao desenvolvimento de doenças sérias - como diabetes ou doenças cardíacas. E pessoas com baixo IMC, por sua vez, podem, às vezes, correr altos riscos de desenvolver problemas de saúde.

Há quem argumente que o IMC, um indicador criado no século 19, não se adequa mais aos nossos tempos. E pesquisas sugerem que talvez haja outros, mais precisos, indicadores de saúde disponíveis. 

IMC X cintura
O IMC não faz distinção entre gordura, músculo e osso. Então, pessoas musculosas podem apresentar um IMC alto, embora tenham pouquíssima gordura em seus corpos. Idosos, por sua vez, tendem a perder musculatura à medida que envelhecem. Portanto, podem apresentar IMC mais baixo, enquadrando-se na categoria "saudável", mesmo que tenham altas concentrações de gordura em seu corpo.

O IMC também não leva em consideração a localização da gordura no organismo. Pesquisas indicam que pessoas que possuem excesso de gordura na região da cintura correm riscos mais altos de sofrer de doenças do que as que acumulam gordura nas coxas e na região glútea.

Ou seja, o tamanho da cintura pode ser uma melhor forma de monitorar sua saúde do que o IMC - mas também tem suas limitações como indicador da saúde de um indivíduo. Por exemplo, ele não é recomendado na avaliação da saúde de crianças, já que não leva em consideração a altura da pessoa.

Além disso, o tamanho da cintura tende a aumentar com a idade. E não deve ser usado como indicador de saúde durante a gravidez. E ele tem de ser ajustado para uso em certas etnias. Por exemplo, homens do leste e do sul da Ásia são mais suscetíveis ao diabetes do que caucasianos com a mesma medida de cintura.

Exercícios aeróbicos
Há ainda um outro indicador de saúde, bastante preciso, que não se baseia no tamanho ou na forma do corpo. Trata-se do teste VO2max, que mede a quantidade de oxigênio que seu corpo utiliza quando você se exercita vigorosamente. Esse teste é bastante útil para medir a saúde aeróbica de uma pessoa. Estudos revelaram que pessoas com índices mais altos de saúde aeróbica tendem a viver mais. 

Exercícios aeróbicos são todo tipo de atividade física que, por meio de movimentos rápidos e ritmados, provoca a oxigenação das células musculares, elevando o consumo de calorias. Qualquer que seja o seu IMC, ou o tamanho da sua cintura, exercícios aeróbicos regulares são uma boa opção para você ficar em forma.

Mas se o seu estilo de vida ainda não permite que você adote um programa regular de exercícios, não desanime. Cuidar do jardim, ir de bicicleta ao trabalho ou caminhar (em vez de dirigir) já são um começo. Lembre-se: qualquer atividade que deixe você ligeiramente ofegante já ajuda a melhorar sua saúde aeróbica.

FONTE(S): BBC BRASIL (http://www.bbc.com/portuguese/geral-36590951); Imagens --> Internet (www.google.com.br/imghp?hl=en).

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A enxaqueca pode ser causada por falta de vitaminas

Reportagem: Pedro.Saude
Do CCM Saúde

A ocorrência de crises de enxaqueca pode estar relacionada com a carência de algumas vitaminas, revelou estudo realizado por pesquisadoras do Hospital Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos. Níveis baixos das vitaminas B2* e D**, além da coenzima Q10, composto similar a uma vitamina presente em todas as células humanas, foram constatados em uma alta porcentagem de crianças, adolescentes e jovens adultos que padecem do problema. 

A condição afeta tanto homens quanto mulheres. No entanto, entre elas, é mais comum a deficiência nos níveis de Q10 enquanto nos homens a falta de vitamina D foi mais expressiva. Por outro lado, pacientes com quadros crônicos de enxaqueca apresentavam, em geral, combinação de carência de vitamina B2 e da coenzima. 

O próximo passo do estudo, capitaneado pela neurologista Suzanne Hagler, é observar a eficácia da suplementação vitamínica como tratamento para a enxaqueca, seja aguda ou crônica. Nesta fase do estudo, a terapia alternativa foi combinada com alguns medicamentos, o que inviabilizou a sua análise. 

"As pesquisas seguintes vão nos ajudar a elucidar a efetividade da suplementação em pacientes com enxaqueca e também se aqueles com déficits leves terão maiores chances de se beneficiar com o tratamento", aponta a especialista. 


*Vitamina B2, no organismo humano, favorece o metabolismo das gorduras, açúcares e proteínas e é importante para a saúde dos olhos, pele, boca e cabelos.




**Vitamina D, no organismo humano, mantém as concentrações de fósforo e cálcio no sangue, regula o metabolismo dos ossos e faz a fixação de cálcio nos ossos e dentes, sendo fundamental para o crescimento ósseo nas crianças.





FONTE(S): CCM Saúde (http://saude.ccm.net/news/797-falta-de-vitamina-pode-ser-causa-de-enxaqueca); Imagens --> Internet (www.google.com.br/imghp?hl=en).

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Mitos e verdades sobre a pílula anticoncepcional

Reportagem: Maria Júlia Marques
Do UOL, em São Paulo 15/10/2015


A pílula anticoncepcional revolucionou os hábitos sexuais nos anos 60 ao provar sua alta eficácia contra a gravidez indesejada. De lá para cá, mais de 50 anos se passaram e o método está cada vez mais comum entre as mulheres, sendo famoso atualmente por também ajudar a combater cólicas e até tranquilizar o monstro da TPM (Tensão Pré-Menstrual).

"Além de reduzir as chances de gravidez com a progesterona, ela tem os benefícios do controle do ciclo, melhora na oleosidade da pele, no cabelo, devido ao estrogênio. Para as disciplinadas que encaixam o remédio na rotina e não esquecem, é uma boa escolha", afirma Mariane Nunes, ginecologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo). 
Apesar de ser um método usado mensalmente por diversas mulheres, existem muitas dúvidas sobre como o processo da ingestão de hormônios (no caso da pílula, o estrogênio e a progesterona) ocorre no organismo.

Quem toma pílula para de ovular?
VERDADE. Enquanto a mulher toma o anticoncepcional os ovários são bloqueados e ficam "adormecidos" para a função da ovulação. "Eles deixam de eclodir óvulos, mas seguem ativos para outras funções, como a produção de hormônios que não estão na composição da pílula".

Tomar pílula inibe a produção hormonal?
MITO. A pílula bloqueia os ovários e fornece hormônios sintéticos. Nesse período, eles deixam de produzir estrógeno e progesterona, ou até produzem, mas em quantidades indetectáveis, segundo Mariane. "Porém, existem outros órgãos que seguem fabricando os hormônios como, por exemplo, o tecido adiposo e as glândulas suprarrenais, que produzem estrogênio".

No intervalo entre pílulas, a mulher menstrua?
PARCIALMENTE VERDADE. Naturalmente ou com pílula os sangramentos se dão quando há queda do estrogênio e o endométrio descama. A diferença é que a pílula torna o processo artificial. "O que ocorre é um 'sangramento de privação'. Apesar de não ter passado por todo o ciclo da fecundação natural, o estrogênio da pílula estimula a proliferação do endométrio. Com a queda do hormônio ao parar de tomar, ele descama e causa o sangramento". Por não ser o processo natural da preparação do útero, o sangramento tem menor intensidade.

Tomar pílula a longo prazo é prejudicial?
MITO. O efeito da pílula é reversível e não afeta a fertilidade. "Os ovários ficam suavemente bloqueados, por isso, esquecer de tomar a pílula, mesmo que por um dia, pode desencadear seu funcionamento". A volta da resposta dos ovários depende do organismo, podendo ser imediata ou levar até três meses.

Quem toma pílula também tem TPM?
VERDADE. A TPM é a resposta do corpo ao estrogênio natural. A pílula tem apenas hormônios sintéticos. Porém, quem toma o comprimido pode ter leve oscilação hormonal devido ao estrogênio produzido naturalmente. "A pílula costuma auxiliar no controle dos sintomas da TPM, por manter a quantidade de estrogênio nivelada. Com menor instabilidade, os sintomas diminuem".

Quem toma pílula "guarda" óvulos e retarda a menopausa?
MITO. O organismo da mulher nasce com cerca de 6 milhões de folículos nos ovários, segundo Flávia. No ciclo natural, os folículos amadurecem por estímulo hormonal e se tornam óvulos. Quando existe o uso da pílula, os folículos não chegam a ser estimulados. "Mas desde bebês, mesmo sem a ovulação, gastamos cerca de mil folículos por mês, em um processo de envelhecimento natural. Nada fica guardado", explica a ginecologista. "Eles se degeneram, vão sendo dissolvidos e somem no organismo".

A mulher deixa de ovular assim que começa a tomar pílula?
MITO. O bloqueio não é instantâneo, o ovário precisa de cerca de um mês para "adormecer". "Cada corpo responde de uma maneira, mas é importante dar ao menos trinta dias para o corpo acostumar com a pílula. Neste início é importante contar com outra proteção para evitar a gravidez".

Sangramento no meio da cartela significa que a pílula perdeu o efeito?
MITO. Se há uma diminuição do estrogênio no organismo, o endométrio pode descamar e sangrar antes do fim da cartela de comprimidos. A oscilação do hormônio pode ser causada por pílulas com menor dose, uso de bebida alcoólica, antibióticos, anestesias ou diarreia. "Esse 'escape' não altera a eficácia da pílula para evitar a gravidez. Até porque, o hormônio responsável por evitar a ovulação é a progesterona, e o sangramento é causado pela ausência do estrogênio, que é responsável pelas melhoras na pele, cabelo, TPM".

Se eu colar a pílula adesiva no lugar errado ela perde o efeito?
VERDADE. O adesivo anticoncepcional precisa ser colado em locais que tenham boa absorção, não sofram atrito para não descolar e com baixo nível de transpiração. "Não há um lugar específico, tem que ser confortável e é bom trocar mensalmente, para evitar irritação da pele", diz Heloísa. Partes do corpo com pelos prejudicam a absorção, e as mamas não são indicadas. "A pele precisa estar seca e limpa. O uso de hidratante antes da aplicação prejudica a absorção".

FONTE(S): UOL Saúde e Notícias (http://noticias.uol.com.br/saude/listas/veja-mitos-e-verdades-sobre-a-pilula-anticoncepcional.htm); Imagens --> Internet (www.google.com.br/imghp?hl=en).

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Bactérias do intestino podem provocar obesidade

Reportagem: Do UOL, em São Paulo 08/06/2016


Obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica estão associadas a alterações na flora intestinal*. Segundo um estudo de cientistas da Universidade de Genebra, na Suíça, e da Universidade de Yale (EUA), a forma como os micro-organismos se comportam no intestino pode influenciar o sistema nervoso e ser a causa dessas doenças. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (8) pela revista Nature.

*Flora intestinal consiste em um complexo de espécies de microrganismos que vivem no trato digestivo dos animais. O principal benefício para o hospedeiro é a recuperação de energia a partir da fermentação de carboidratos não digeridos.
Uma pesquisa, feita com roedores, mostra que a produção de acetato pela flora intestinal ativa o sistema nervoso parassimpático para que ele aumente a produção de grelina (conhecida como o "hormônio da fome") e de insulina induzida pela glicose. Segundo os pesquisadores, isso gera aumento do apetite e da ingestão de alimentos, ganho de peso, doença hepática gordurosa e resistência à insulina. A capacidade da flora intestinal ativar essa região era desconhecida até o momento.
A glicose é um carboidrato que fornece a energia necessária para o organismo funcionar. Ela está presente em diversos alimentos como massas, pães e frutas. A insulina é um hormônio, produzido no pâncreas, que ajuda a glicose a se transformar em energia e penetrar nas células do corpo. Quando o indivíduo se torna resistente à insulina a glicose se acumula no sangue, o que pode causar doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e a obesidade.
Durante o processo digestivo, as bactérias do intestino produzem ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que incluem acetato, propionato e butirato. Os cientistas relataram que roedores alimentados com uma dieta rica em gordura produziam acetato em maior quantidade do que os alimentados de forma comum. A análise destes dados vai permitir identificar a forma como a flora intestinal ajuda na progressão da obesidade induzida pela má alimentação.

Para os pesquisadores, essa informação pode ajudar a prevenir doenças. "Os resultados destes estudos demonstram que através do bloqueio desse acetato é possível prevenir a obesidade e a resistência à insulina", diz Gerald Shulman, professor de medicina da Faculdade de Yale, e um dos autores da pesquisa.

No entanto, a flora intestinal não é a mesma para todo mundo. As bactérias se desenvolvem de acordo com as condições de nascimento e daquilo que o indivíduo ingere durante a vida. "Devemos lembrar que este estudo foi em ratos e não podemos transpor os resultados para humanos. Cada pessoa tem as suas bactérias intestinais. Você pode nascer com uma flora ótima e estragá-la com uma má alimentação. Não podemos dizer que é exclusivamente culpa das bactérias. Elas têm um papel na gênese da obesidade e da diabetes, mas não sabemos o quanto é importante nem dizer que começa aí", diz ao UOL Érika Bezerra Parente, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês.
Para a médica ainda é cedo para saber como essa terapia será usada. "A medicina já trata do sistema nervoso para auxiliar o controle da obesidade. Talvez no futuro o foco seja tratar as bactérias do intestino. É preciso ver como esse mecanismo vai ser demonstrado em humanos, mas sem dúvida é um começo", diz Parente.

Os pesquisadores ainda não sabem se essa descoberta também poderá ajudar quem já convive com a obesidade. "Agora estamos estudando para saber se o volume deste acetato em indivíduos obesos causa as mesmas reações no sistema nervoso", diz Shulman.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Órgãos humanos em porcos para transplante

Reportagem: Fergus Walsh
Repórter de Ciência da BBC News

Em experimentos na Universidade da Califórnia (UC), em Davis, à qual a BBC teve acesso, os pesquisadores injetam células-tronco humanas em embriões de suínos para produzir embriões híbridos apelidados de"quimeras". O termo é uma referência à mitologia grega, em que as quimeras são monstros híbridos de diversos animais - parte leão, cabra ou serpente, por exemplo.

Porém, os pesquisadores esperam que as suas "quimeras" humano-suínas tenham a aparência e o comportamento normais de porcos, exceto pelo fato de que terão um órgão composto de células humanas. As pesquisas têm por objetivo solucionar a falta de órgãos humanos para transplante.

Criando 'quimeras'
A criação das quimeras ocorre em duas partes. No experimento da UC, os cientistas removem o gene de um embrião recém-fertilizado de porco que levaria ao desenvolvimento do pâncreas no feto.
Isso é feito aplicando-se uma técnica de edição genética (CRISPR). O resultado é um "nicho genético" na estrutura genética do embrião animal.

Células-tronco humanas (iPS), capazes de se desenvolver como qualquer tecido no corpo, são então injetadas no embrião suíno. Os pesquisadores esperam que as células-tronco humanas ocupem o nicho genético no embrião de porco e gerem um pâncreas com tecido humano no feto.

Os fetos se desenvolvem em fêmeas de porco durante 28 dias - o período completo de gestação é cerca de 114 dias. Após isso, as gravidezes são interrompidas e o tecido é removido para análise.

Outras pesquisas nos EUA estão trabalhando com quimeras híbridas de humano e suíno. Nenhuma permite o desenvolvimento do feto até o fim. 

Walter Low, professor do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Minnesota, diz que os porcos são "incubadoras biológicas" ideais para gerar órgãos humanos, e poderiam ser usados não apenas para gerar pâncreas, mas corações, fígados, rins, pulmões e córneas. Ele diz que no futuro os cientistas poderiam tirar as células-tronco de um paciente na fila do transplante e injetá-las em um embrião de porco com a relevante informação genética apagada, como a referente ao fígado.

"O órgão seria uma cópia genética exata do fígado humano, só que muito mais jovem e saudável e não seriam necessárias tantas drogas imunossupressoras (que tentam evitar a rejeição de um órgão transplantado pelo corpo), que têm efeitos colaterais."

Mas ele salientou que sua pesquisa, que usa outra forma de edição genética chamada TALEN, ainda está em estágio preliminar, à procura de identificar os genes que precisam ser removidos para evitar que os porcos desenvolvam certos órgãos em particular.

FONTE(S): BBC BRASIL SAÚDE (http://www.bbc.com/portuguese/geral-36459781); Imagens --> Internet (www.google.com.br/imghp?hl=en).